Dra. Joanne Assunção

Thaís Vaz relembra agressão que a deixou cega
Quando o amor cega a justiça precisa enxergar

Quando o Amor Cega – e a Justiça Precisa Enxergar
Por Dra. Joanne Anunciação
Em um país onde uma mulher é agredida a cada 4 minutos, histórias como a da atriz Thaís Aos 19 anos, Thaís perdeu a visão do olho esquerdo. O causador? O namorado, durante uma explosão de violência em meio a uma briga. Não foi um “acidente”, foi consequência direta de um relacionamento abusivo, marcado por controle emocional, dependência afetiva e negação do próprio valor.
“Eu não tinha mais amor-próprio”, relatou Thaís — e essa frase é o ponto de partida para muitas mulheres que hoje estão em silêncio, vivendo relacionamentos que as ferem por dentro… e muitas vezes por fora também.
🚨 Nem todo abuso é visível de imediato. Mas todo abuso é perigoso.
Violência não começa com um soco, mas com o isolamento, a manipulação, a crítica disfarçada de cuidado, a desvalorização cotidiana. Quando você começa a se anular para “não causar briga”, algo já está sendo roubado: sua liberdade, sua saúde mental, seu futuro.
No caso de Thaís, a agressão teve um efeito físico irreversível — a cegueira. Mas quantas mulheres estão emocionalmente cegas dentro de relacionamentos tóxicos e não percebem? Quantas acham que precisam “aguentar mais um pouco”? Quantas não conseguem sair porque têm filhos, dependem financeiramente ou sentem vergonha?
⚖️ A justiça começa com o reconhecimento
Como advogada e mulher, afirmo: nenhuma mulher precisa estar machucada para buscar proteção. A Lei Maria da Penha protege também contra agressões psicológicas, patrimoniais e morais. Medidas protetivas podem ser solicitadas mesmo sem boletim de ocorrência, e você tem direito a ser ouvida, protegida e respeitada.
Mas o primeiro passo não é jurídico, é emocional: é entender que você merece uma vida segura, plena, digna. Que não é egoísmo se afastar de alguém que te faz mal. Que amor não machuca. Que abuso não se resolve com silêncio.
🌱 Thaís virou dor em arte. Você pode transformar dor em liberdade.
Hoje, Thaís escreve, dirige, atua. Sua peça Hiena e sua série Mulher Coragem são vozes que ecoam por tantas que ainda estão caladas. Ela não quis vingança, quis sentido. E nós, como sociedade, precisamos dar o sentido correto à violência: é crime. É inaceitável. É urgente combatê-la.
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💬 Minha palavra para você que está lendo:
Se algo dentro de você está apagado, silencioso ou machucado…
Se você se sente diminuída, vigiada, sem valor…
Isso não é amor. Isso é violência disfarçada.
Você tem o direito de recomeçar.
Você tem o direito de denunciar.
Você tem o direito de ser feliz.
Com amor, com lei e com coragem,
Dra. Joanne Anunciação
Advogada especialista em Direito e Violência de Gênero
Fundadora da Escola Feminina do Direito
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