Imposto de Renda 2026 amplia isenção e reduz carga para salários médios
Nova tabela garante isenção até R$ 5 mil e desconto progressivo até R$ 7.350.
Por Roberto Santana
06/01/2026 - 10h09
Foto: Reprodução Em vigor desde 1º de janeiro, a nova tabela do Imposto de Renda 2026 trouxe mudanças significativas para milhões de brasileiros. A principal novidade é a isenção total do imposto para quem recebe até R$ 5 mil por mês, além de um desconto gradual para rendimentos de até R$ 7.350, reduzindo o impacto da tributação sobre a classe média.
Apesar de a tabela tradicional do IR permanecer com os mesmos valores de 2025, a reforma criou redutores adicionais que passam a ser aplicados em conjunto, garantindo o novo benefício. Os efeitos práticos serão percebidos nos salários pagos a partir de fevereiro, já que as regras valem para rendimentos de janeiro em diante. As mudanças também influenciarão a declaração anual de 2027, referente ao ano-calendário de 2026.
Quem fica isento do IR em 2026
Com as novas regras, ficam totalmente isentos trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas, desde que a renda mensal total não ultrapasse R$ 5 mil. Quem possui mais de uma fonte de renda deverá fazer o ajuste na declaração anual caso o total supere esse limite.
Redução para quem ganha até R$ 7.350
Para salários entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o imposto é reduzido de forma progressiva: quanto menor a renda dentro dessa faixa, maior o desconto. Acima desse valor, não há benefício adicional. A regra também se aplica ao 13º salário.
Tabela mensal do IR
Para rendimentos superiores a R$ 7.350, segue valendo a tabela mensal tradicional, com alíquotas que variam de 7,5% a 27,5%, conforme a base de cálculo, mantendo as deduções fixas previstas na legislação.
Mudanças no cálculo anual
No ajuste anual, a reforma também amplia o alcance da isenção:
Isenção total para quem ganhar até R$ 60 mil no ano;
Redução gradual do imposto para rendas entre R$ 60 mil e R$ 88,2 mil;
Acima desse patamar, não há desconto adicional.
O redutor anual é limitado ao valor do imposto devido, não gerando restituição extra automática.
Imposto mínimo para alta renda
Para compensar a perda de arrecadação, foi criado o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo, direcionado a contribuintes de alta renda. A regra atinge quem recebe mais de R$ 600 mil por ano, com alíquota progressiva que pode chegar a 10%, aplicável integralmente a rendas acima de R$ 1,2 milhão anuais.
Entram no cálculo salários, lucros, dividendos e rendimentos financeiros tributáveis. Ficam de fora aplicações incentivadas, heranças, doações, indenizações por doença grave e alguns ganhos específicos. A cobrança efetiva ocorrerá apenas a partir da declaração de 2027.
Tributação de dividendos
Outra mudança relevante é a tributação de dividendos: haverá retenção de 10% na fonte quando os valores pagos por uma única empresa à pessoa física superarem R$ 50 mil por mês. O imposto poderá ser compensado na declaração anual, e a medida atinge principalmente grandes sócios e empresários.
Deduções mantidas
A reforma não alterou as principais deduções, como gastos com dependentes, educação e o desconto simplificado, que continuam válidos tanto na apuração mensal quanto na anual.
Impacto estimado
O governo estima que cerca de 16 milhões de contribuintes serão beneficiados com a ampliação da isenção e a redução do imposto. O custo fiscal da medida é estimado em R$ 31,2 bilhões, compensado pela nova tributação sobre rendas mais altas e grandes dividendos.



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