STF proíbe Silas Malafaia de falar com Bolsonaro e deixa pastor sem passaporte
Alexandre de Moraes também determinou quebra de sigilos e apreensão de eletrônicos; líder religioso é investigado por obstrução de investigação e coação no curso de processo.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou nesta quarta-feira (20/08) uma série de restrições contra o pastor Silas Malafaia. O líder religioso está proibido de manter contato com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e com o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), além de não poder deixar o Brasil. Para cumprir a decisão, Malafaia precisou entregar seus passaportes às autoridades.
A decisão também autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do pastor, bem como a análise de celulares e computadores apreendidos. A Polícia Federal terá 15 dias para apresentar um relatório parcial sobre o material.
Malafaia prestou depoimento na noite de quarta-feira e, ao sair, atacou Moraes, chamando-o de “criminoso”. Diante de apoiadores e jornalistas, afirmou:
— “Apreender meu passaporte? Eu não sou bandido. Apreender meu telefone? Vai descobrir o quê? Eu ainda dei a senha, porque eu não tenho medo de nada.”
O pastor se mostrou inconformado com a proibição de falar com Bolsonaro e negou ter orientado Eduardo Bolsonaro em decisões políticas.
— “Conversa de amigo não interessa a ninguém. Que país é esse em que vazam conversas particulares como se eu instruísse Eduardo? Quem sou eu?”
Acusações
Segundo a decisão do STF, Malafaia é investigado por coação no curso do processo, obstrução de investigação envolvendo organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
De acordo com a Polícia Federal, mensagens trocadas entre o pastor e Bolsonaro sugerem articulação para condicionar o fim de tarifas impostas pelos Estados Unidos à concessão de anistia a envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Em uma das conversas, Malafaia escreveu:
— “A próxima retaliação vai ser contra ministros do STF e suas famílias. Vão dobrar a aposta apoiando o ditador? Duvido!”
Moraes afirmou que há “fortes evidências” de que Malafaia atua como articulador e propagador de ataques contra ministros do Supremo, comparando sua atuação à de milícias digitais.
Conexão com os Bolsonaro
No mesmo dia em que prestou depoimento, a Polícia Federal indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro por coação a autoridades ligadas ao processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Para os investigadores, pai e filho agiram de forma consciente para pressionar autoridades e até vincular sanções internacionais a decisões do Judiciário brasileiro.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apoiou as medidas contra Malafaia, afirmando que ele atuou como “orientador e auxiliar” dos Bolsonaros na tentativa de obstruir a ação penal.
Reação pública
Malafaia chamou o processo de perseguição e disse que não vai se calar:
— “É uma vergonha. Que país é esse? Que democracia é essa? Vai ter que me prender para me calar.”
O pastor foi um dos organizadores do ato em apoio a Bolsonaro realizado em 3 de agosto, evento que levou à prisão domiciliar do ex-presidente no dia seguinte.
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