Guarda municipal salva vida com empatia no viaduto da Campos Sales
GCMF Marinho usou abordagem emocional, compartilhando sua própria história de superação, para tirar rapaz do beiral e evitar suicídio.

Na madrugada da segunda-feira, 17 de agosto, pouco antes do término de seu plantão, a Guarda Civil Municipal Feminina Erinalda Elias Marinho, de Barueri, foi alertada sobre um homem no beiral do viaduto da rua Campos Sales, sobre a Rodovia Castelo Branco. Ao chegar ao local, identificou um rapaz distraído e visivelmente em crise emocional, pronto para cometer suicídio.
Ele expressou de imediato que não queria companhia: “não chega perto que eu vou pular”, disse em um dos momentos mais tensos do breve contato. Ainda assim, a guarda manteve a calma. Explicou que estava ali por preocupação, afirmou que poderia ajudar e foi construindo com o jovem uma ponte de confiança.
Foi ali, naquele instante, que Marinho fez valer sua experiência humana e profissional. Compartilhou parte de sua história pessoal: mostrou fotos que guardava no celular, lembranças de sua luta contra um câncer de mama. Essa vulnerabilidade gerou identificação e descontração. Então, propôs um gesto ousado e corajoso: sentar ao lado dele no beiral. Fez o convite sem pressa e com respeito. Ele concordou.
Quando percebeu uma abertura, delicadamente aproximou-se e, com cuidado, retirou o rapaz do beiral. Ele desabou em lágrimas e pediu: “não me deixa aqui”. Marinho ficou ao lado, o acalmou e permaneceu até que ele fosse atendido no Pronto-Socorro Central, inclusive abrindo o caminho para o acolhimento da irmã do rapaz.
Para ela, aquela não foi uma ocorrência comum. Sua carreira de 25 anos na Guarda Municipal inclui situações de risco, mas com certeza esse gesto combinar força, gentileza e humanidade se tornou um divisor de águas. “Sou pedagoga, tenho pós em Pedagogia do Comportamento e MBA em Gestão — e isso me preparou para ouvir antes de agir”, explicou Marinho.
A ação ocorreu no mês que antecede o Setembro Amarelo, e sua história ilumina a importância de acolher quem sofre em silêncio. Um lembrete poderoso: gentileza e atenção podem salvar vidas.
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